Paro junto à entrada principal do lago de Pushkar. O espetáculo visual de pessoas com roupas coloridas que entram e saem pelo portal sagrado às centenas, tem qualquer coisa de cinematográfico…
 

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Tenho dores nas costas. Vejo um lugar para sentar junto à porta de um pequeno comércio de flores (amarelas e sagradas), entre dois sahdus. Uma deles tem o símbolo do Deus Shiva pintado na testa. Ambos têm ao seu lado uma lata de metal para as doações e esperam que também elas sejam sagradas. Fico um tempo sentada, sem vontade de retomar o caminho.
 

Sinto pelo canto do olhar que ambos olham para mim. Mais recuperada, decido pegar na máquina e fotografo-los.  Começo pelo que tenho à minha direita. Mostro a imagem. Sorri e a seguir pede dinheiro. Digo que não tenho. De fato não tenho devido à mal idealizada substituição de notas velhas por novas, pelo governo indiano. De qualquer forma, a fotografia comprada não seduz-me.

 

Decido oferecer-lhe uma impressão. Coloco a impressora à frente dele. Quando o papel é expelido pela mini Instax,  pego-o e começo a sopra-lo (sopro mágico 🙂 enquanto a imagem surge aos poucos no papel branco. Ele olha perplexo. Entrego a impressão. Ele fixa o olhar na impressão por um tempo. Com alguns gestos, pergunta se é para ele. Eu digo que sim. De repente fica de pé e outras duas vezes repete o gesto e pergunta se é mesmo para ele. Eu confirmo. Ele olha novamente para a imagem e diz “Namaste” e desaparece com um sorriso mal disfarçado.

 

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