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Preparo-me para uma segunda visita a Kakun e a sua família, de etnia cigana, que está a viver temporariamente debaixo de uma árvore (durante os cerca de 10 dias da feira de camelos de Pushkar). Compro as bananas para cumprir a minha promessa. No último minuto decido levar também um caderno de desenhos para colorir e uma caixa de lápis de cor. Decido-me pela caixa pequena e imaginei os lápis jogados selvaticamente pela terra ao fim de 5 minutos.

À chegada somos recebidas (eu e a Eliane) com alegria. Conversamos um pouco em Hinglês (mistura de Hindi com inglês, nem um, nem outro :-). Estou na expectativa de conseguir boas imagens mas antes… estendo um plástico no chão e chamo as crianças para sentarem-se a volta. Abro o caderno e começo a colorir. Dou um lápis a cada uma e estimulo-as a fazerem o mesmo. Fico sem ação quando vejo que elas não sabem segurar o lápis.
Deixo o meu lápis, posiciono-o entre as miniaturas de dedos de um deles e envolvo a sua mão para colorirmos juntos. Estão focados. Cada um com o seu lápis. Pego em outra mão. Colorimos, falamos naquela língua, fingimos que nos entendemos, rimos, colorimos. As pontas dos lápis acabaram. Por sorte, a caixinha veio com um apontador. Retiro-o, giro lá dentro a ponta do lápis ao mesmo tempo em que observo a expressão completamente pasma que eles têm no rosto ao mesmo tempo em que observam aquele movimento e o lápis de novo com ponta.
Por cerca de uma hora e meia, duas talvez, estiveram totalmente focados na missão de preencher as páginas do livro.

Nunca vi tantos sorrisos à distância quando nos despedimos. Deles e meus. Mais tarde, já de volta à cidade, me pego pensando que este será um dia que não vou esquecer. Partilho a experiência com uma amiga. Ela diz: ELES não vão esquecer este dia. Sinto-me feliz.

Foto por Eliane Bandd (câmara do telefone). Esqueci de fotografar.
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